21 agosto 2009

 

A guerra de Obama

As eleições no Afeganistão são, nas condições em que o país se encontra, ou seja, sob ocupação estrangeira, em estado de guerra em grande parte do território e sem autênticos partidos políticos representativos de correntes de opinião, uma obra de pura ficção (humorística).
Mas é claro que essa ficção é necessária aos ocupantes ocidentais para criarem a aparênia de uma normalidade "democrática" e obterem uma credencial legitimadora da ocupação. Uma credencial que se destina a apresentar não tanto aos afegãos, cuja opinião pouco importa, mas às instâncias internacionais e à opinião pública do "Ocidente".
Esta última, honrando as tradições universalistas e humanistas de que se orgulha, pouco se rala com as "baixas" infligidas aos "terroristas islâmicos" (que porventura até nem alma têm), mas está a reagir mal aos "custos humanos" da guerra, porque esses custos estão a pesar cada vez sobre o "Ocidente".
Entre a "necessidade" de ganhar a guerra do Afeganistão (onde várias outras grandes potências se enterraram "in illo tempore") e a dificuldade em o fazer desenrola-se todo o drama das grandes potências militares do Ocidente mais a sua NATO.
Obama, como todos os presidentes dos EUA depois de 1945, escolheu uma guerra: a sua é no Afeganistão.
Terá ele melhor êxito ali do que os seus antecessores nos diversos cenários sucessivamente escolhidos na grande cena mundial para exercício demonstrativo da sua superioridade militar (e "moral")?
Será que a sua oratória, que tanto seduz os "ocidentais", vai captar aquela "gente rude" (ah Camões!)?
Conseguirá ao menos continuar a convencer a opinião pública do seu país e dos outros países ocupantes quando o número de mortos ultrapassar o limite do "tolerável"?





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