02 junho 2007

 

Os chiqueiros onde chafurda certa imprensa

Agradeço por este meio os inúmeros telefonemas e mensagens de telemóvel de apoio que tenho recebido de amigos de toda a parte e que não tenho paciência para responder. Ainda por cima, como uma desgraça nunca vem só, fui contemplado esta semana (azares do sistema de sorteio) com duas distribuições excepcionais de providências urgentes (um “habeas corpus” complicado em termos materiais e um mandato de detenção europeu) que me obrigam a trabalhar durante o fim de semana e a antecipar a sessão no Supremo para a próxima quarta-feira, visto que na quinta é feriado.
Nos meus agradecimentos incluo os magníficos textos que neste blogue se escreveram (sobretudo Pedro Soares Albergaria e o Maia Costa) tomando como pretexto a histeria gerada à volta do acórdão que eu assinei como relator e que teve a concordância dos meus três adjuntos. Do ponto de vista teórico e de reflexão são textos magníficos.
Permitam-me que expresse aqui a minha indignação pelos processos infames que certos órgãos de comunicação social usam para conseguirem os seus objectivos torpíssimos, nomeadamente certos “tablóides”, particularmente o “24 Horas”. Nunca pensei que se pudesse ir tão longe na perversidade e na hediondez. Eu já podia ter aprendido, uma vez que tenho alguma experiência nesta matéria, mas que querem? Também por causa dessa minha mania de que é preciso não ter medo dos meios de comunicação social (embora, aqui, o designativo “meios de comunicação social” seja um eufemismo), acabei por aceitar a solicitação de jornalistas, ou assim ditos, que, por telemóvel, me pediram para explicar a razão do abaixamento da pena neste caso de abuso sexual de crianças. Quando pensava que estava a esclarecê-los, estava era a ser indecentemente instrumentalizado para outros fins absolutamente repelentes.
No dia seguinte, sem que me tivesse sido comunicado previamente que tencionavam dar forma de entrevista à conversa, chaparam no jornal com uma grosseira montagem, em que puseram na minha boca afirmações que eu nunca fiz – afirmações aberrantes e idiotas, com ressaibos porno e gozos acanalhados, inclusive manipulando uma fotografia minha, de há muitos anos atrás, que arranjaram abusivamente, não sei por que processos, mas que eu calculo de onde provirá, porque estou lembrado de umas fotografias que tirei há anos no JN, por entre computadores e mesas de trabalho da Redacção, com o fim de escolherem uma para personalizar as crónicas que comecei a escrever regularmente para aquele jornal. Uma fotografia completamente destoante no tempo, no lugar e no modo, cuja inserção no dito tablóide – o “24 Horas” – com aquele enquadramento, não visava senão o meu achincalhamento. Não é verdade que pareço que estou a rir-me alarvemente daquelas palavras idiotas que me são atribuídas?
Confesso: nunca pensei que a pulhice desta comunicação social menosprezasse de forma tão ostensiva e criminosa todos os limites do decoro, da boa-fé, da deontologia profissional e da vivência comunitária.
É para que conste e para que todos os meus leitores se ponham a recato em situações idênticas.
No que me diz respeito, o mal está feito, e bem o tenho sentido na quantidade de abordagens de que também sou alvo. Há muita gente que me conhece pela fotografia e de escrever durante anos a fio no JN, e nem quer acreditar no que viu no “24 Horas”. Mas já que o mal está feito, vou levar o caso até às últimas consequências. O que lamento é que haja uma quantidade de peritos (juristas, psicólogos, pedopediatras, sexólogos encartados) que se disponham sempre (eles vivem disso, do protagonismo na comunicação social) a darem um arzinho da sua graça, muito conspícuos, muito doutores, muito senhores dos seus ridículos papéis, sem, afinal, saberem o que estão discutir. Estamos no país-do-faz-de-conta.





<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?


Estatísticas (desde 30/11/2005)