05 julho 2007

 

Crescidinhos


Parece confirmar-se a explicação oficiosa, de que já suspeitara aqui e aqui, cheia de vitalidade, sobre certos dislates: alguns actos criticados de exercício da autoridade do Estado não passam de pequenos erros em virtude de os seus autores não serem «crescidinhos» (tal como os seus críticos).
Os pequenininhos, na medida em que o são, não devem ser castigados por meras asneirinhas (ao contrário daqueles que desrespeitam os crescidinhos), pois só se podem tirar dos carguinhos, pelos quais tanto lutaram, os pequenininhos que não denotem empenho na defesa dos crescidinhos, sob pena de o poder dos crescidinhos decrescer. Até porque esses pequenniinhos, mesmo com pequenos tropeções, ajudam, ai se ajudam, os crescidinhos (sobretudo quando há tanta gente caladinha mas atenta aos exemplos de como ascender sem os custos da responsabilidade de um «crescidinho» mas nas boas graças de algum, o que os imaturos podem não perceber mas, certamente, tranquiliza os crescidinhos).

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29 junho 2007

 

Jocosidade e subchefes


Os ignorantes que não compreendem a base normativa do notável despacho 13288/2007 devem ser esclarecidos que os subchefes têm o dever funcional de tornar os seus subordinados, especialmente os que não estão integrados na cultura de modernidade, medrosos. Só os subchefes zelosos que «tomam medidas relativas» a «termos jocosos», susceptíveis de atingir os chefes, manifestam «reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para prossecução e implementação das políticas desenvolvidas».

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26 junho 2007

 

A sombra, a luz e o «dar para o exterior a imagem»

O percurso do comendador Joe Berardo, que há muitos anos se apresenta como exemplar, foi durante um longo período objecto de uma visibilidade moderada, felizmente nestes últimos tempos começou a receber a notoriedade merecida. Veja-se o encantamento mediático com as suas sonoras performances nos preparativos e desenlaces da OPA da SONAE à PT e da Assembleia Geral do BCP (estrelato que ultrapassouo peso em percentagem de acções).
Naturalmente tal atenção exigia um espaço institucional adequado, «o Benfica faz parte da minha cultura», e a brilhante tirada pós Rui Costa «Hello», que constituiu um ensaio para o maior sucesso cultural autóctone das últimas décadas: a estreia museológica de ontem. As fotos, e as belíssimas entrevistas do duo responsável pelo evento (por coincidência ao que suponho o Benfica também faz parte da cultura do primeiro-ministro José Sócrates), levaram-me, então, a pensar que para a plenitude do retrato só faltava, ainda que num lugar secundário, o imprescindível assistente cultural Alexandre Melo. Hoje com o desenvolvimento da guerra das bandeiras e a cena «sangue azul», revejo essa impressão: a luz a quem a merece para a posteridade... os outros podem continuar nas, também muito reveladoras, sombras.

E, como se não bastasse, a nação ainda teve o privilégio de assistir à exteriorização de uma pungente sinceridade com o reconhecimento de que a «única intenção [foi] dar para o exterior a imagem de uma certa unidade de propósitos entre a Fundação a que V. Exª [o comendador] preside e a Fundação Centro Cultural de Belém», os sacríficos que se fazem com a «única intenção [de] dar para o exterior a imagem de uma certa unidade de propósitos»! O exterior agradece.

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18 junho 2007

 

Desconsolo

Desconsolo- De regresso a casa ver um retrato deprimente num artigo único afinal dividido em 7 outros, escrito que, sem ser uma peça em três actos, retrata fielmente informador, mandante, autor e um contexto muito significativo. Um texto que sem dúvida atenta contra a honra do Estado.... e há tantos basílios, moreiras e pereiras ao dispor, para (tentar?) pôr na linha FP’s que sem o devido temor reverencial constituem obstáculos para a modernidade, modernidade, modernidade.

PS. A abreviatura FP’s reporta-se a funcionários públicos, obviamente.

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22 maio 2007

 

A DREN, o zelo e uma certa cultura


Em Setembro do ano passado a propósito de uma intervenção musculada de uma responsável da DREN em prol dos valores supremos indicados pelas suas chefias comentei «que ninguém pense que se trata de uma ilegalidade, cuja ameaça devia ser sancionada, quando os dislates são em nome de boas causas não passam de pequenos excessos. Aliás, quando um pequenote ou uma pequenota, revelando uma determinada visão da ordem jurídica, tem «certas saídas», no fundo para agradar aos mais velhos, em que até mostra uma certa vitalidade, não se deve ser demasiado áspero, pode ser má política de... educação (o excesso de zelo nunca deve ser excessivamente sancionado pois a palmadita podia ser mal interpretada).»
Pelos vistos assim terá sido, os sub-chefes da DREN não terão sido desincentivados no seu zelo incondicional, permitindo-se que o organismo continue a ser um espelho evidente (pensarão os mais cultivados dos seus educadores, por vezes demasiado evidente) de uma certa cultura, devidamente identificada na síntese doutrinária da sub-chefe que dirige a DREN: «Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal» ou, trocando por miúdos, o funcionários que prestam serviço têm de estar abaixo de muitas coisas, o chefe é o chefe e eu cá estou para zelar pela manutenção desta ordem, no fundo o serviço que tenho de prestar enquanto sub-chefe. E aqui já foi recordado o importante recado ou prevenção geral: «atenção, que os "os olhos e ouvidos do rei" estão em todo o lado».

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