22 dezembro 2006

 

Bate, bate, coração!

O movimento "Não, obrigada" (ou melhor, Obrigada ao Não, como já expliquei há tempos) vai mostrar ao povo votante um vídeo com um coração de um feto de 10 semanas a bater.
A dramatização demagógica da campanha para o referendo vai ser seguramente uma opção do "não". Os seus argumentos não vão apelar à razão, nem sequer ao bom senso, mas sim à emoção primária, ao preconceito, aos pré-juízos arcaicos de uma cultura patriarcal. Esperemos, que ainda há muito para ver.
Mas esta história do coração está mal contada. Falta a segunda parte. Falta dizer que não é o batimento do coração que traça a fronteira entre a vida e morte. Ainda que o coração esteja a bater, a partir da morte do cérebro a morte da pessoa é decretada. E aquele coração vivo vai ser aproveitado para ser enxertado noutra pessoa (e salvar-lhe a vida).
Sendo a vitalidade do sistema nervoso central a fronteira entre vida e morte, pode também a sua constituição, às 10/12 semanas de gestação, enquanto "salto qualitativo" na evolução do feto, servir como referência para o estabelecimento do prazo de licitude da IVG. Ao contrário do que a demagogia do "não" apregoa, a constituição do sistema cardio-vascular não constitui nenhuma fronteira na evolução. O batimento do coração não significa que haja um "bebé" formado. Aliás, só há "bebés" depois de nascidos.





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